Fabricação
Posted on Novembro 11, 2009 by hayrton
O Haroldo Ribeiro (pdca@terra.com.br), um dos maiores especialistas em 5 S do Brasil me enviou um texto sobre a metodologia. Ele é autor do livro “A Bíblia do 5S”.
Leia abaixo o artigo:
A maioria das empresas que implanta o 5S se limita, quando muito, a praticar apenas os 3 primeiros S, mesmo assim dando ênfase as atividades de organização das coisas e a limpeza do ambiente e dos recursos. Poucas empresas chegam ao nível de implantar sistematicamente todos os 5S, implementando no Seiketsu (que é o 4º S) algumas atividades relacionadas à saúde. Porém, se analisarmos cada um dos S, constatamos a contribuição deles para a saúde física e mental de seus praticantes.
O SEIRI, Senso de Utilização, prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. Além do mais, o SEIRI prega o compartilhamento dos recursos de pouca utilização. Alguns benefícios deste Senso para a saúde física das pessoas, são: redução de peso dos materiais transportados sem utilidade; recursos adequados e usados de maneira adequada evitam desgastes desnecessários, inclusive doenças ocupacionais; redução de desgastes desnecessário na movimentação de materiais para acesso ao desejado; equipamentos e recursos em boas condições de uso evitam desgastes desnecessários dos operadores e usuários.
O SEITON, Senso de Ordenação, consiste em ter locais de trabalho adequados para a guarda de cada recurso, um layout eficiente e seguro e a manutenção da ordem. Alguns benefícios deste Senso para a saúde são: redução de desgaste físico com a eliminação de deslocamentos desnecessários; acesso fácil aos recursos utilizados com maior freqüência; guarda de recursos de acordo com seu peso e freqüência de uso.
O SEISO, Senso de Limpeza, tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. Para tal, a eliminação de fontes sujeira e a postura de inspeção durante a limpeza geram um ambiente salutar, principalmente os coletivos como banheiros, vestiários e copas. Além do mais, o ambiente limpo possibilita que as pessoas sujem menos suas roupas, uniformes, EPI´s e mãos, melhorando a higiene pessoal.
O SEIKETSU, Senso de Higiene e Saúde, não se limita apenas à saúde física, mas também à saúde mental. Esta ampliação da interpretação sobre saúde possibilita que o 5S contribua para uma melhoria no relacionamento interpessoais discutindo-se os problemas comportamentais mais freqüentes e consensando-se regras de convivência. Alguns exemplos são: temperatura do ar-condicionado, utilização de celulares, utilização de espaços coletivos (banheiros e copa), pontualidade em reuniões e treinamentos, guarda de recursos pessoais (bolsa, casaco, guarda-chuva, etc.), entre outros.
O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, não se limita apenas a manter os 3 primeiros S no dia-a-dia, mas também prega que regras e normas sejam praticadas sem necessidade de monitoramento ou cobrança. Exemplos deste S relacionados à saúde são: participação assídua em ginásticas laborais (quando existe); postura e uso adequado dos recursos ergonômicos; utilização e manutenção da higiene de EPI´s; cumprimento rigoroso de boas práticas de fabricação, etc.
A associação do 5S com a saúde pode ser iniciada ou refletida nos ambientes de trabalho e ser levada para o cotidiano em qualquer outro ambiente, principalmente na nossa casa e na educação de nossos filhos.
Igualmente, é normal nas indústrias de alimentos e derivados, produtos farmacêuticos e cosméticos, a aplicação das Boas Práticas de Fabricação, conhecidas como Good Manufacturing Practices (GMP), para atender às respectivas legislações (Codex-Alimentarius, FDA, ISO, APPCC, etc.). O 5S contribui para a formação de uma cultura adequada à estas práticas, não somente nos ambientes diretamente monitorados, mas também em todas as outras áreas da empresa.
O SEIRI, Senso de Utilização, prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados e que estejam em plenas condições de uso. Improvisações que geram riscos à saúde, à segurança e à higiene do ambiente de trabalho e que podem ser fontes de contaminação são criticadas no 5S. Ou seja, o 5S cria a cultura nas pessoas de ter no local de trabalho apenas os recursos úteis e em boas condições, e isto é fundamental para as Boas Práticas de Fabricação.
O SEITON, Senso de Ordenação, consiste em ter locais de trabalho adequados para a guarda de cada recurso e que cada um deles seja devidamente identificado. Um dos riscos para as Boas Práticas de Fabricação é justamente a desordem e a deficiência de identificações de produtos e insumos.
O SEISO, Senso de Limpeza, tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações através da eliminação de fontes sujeira. Várias deficiências estruturais e comportamentais que são atacados neste Senso contribuem diretamente para o GMP. Exemplos: vazamentos de óleo; derramamento de produtos; presença de insetos; falha na sistemática de limpeza ou no seu descumprimento; coletores de resíduos inadequados, mal distribuídos, transbordando, com resíduos misturados, etc.
O SEIKETSU, Senso de Higiene e Saúde, que é a própria essência do GMP, não se limita apenas aos ambientes monitorados, mas em áreas periféricas e pessoas de outras áreas que poderiam trazer contaminações, como pessoas e recursos da manutenção que não são obrigatoriamente constantes nas áreas de fabricação.
O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, não se limita apenas a manter os 3 primeiros S no dia a dia, mas também prega que os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) sejam praticados sem necessidade de monitoramento ou cobrança. Exemplos: uniformes limpos e bem cuidados; higiene pessoal; identificação adequada de rótulos, bulas ou cartuchos; lavagem adequada de equipamentos e recursos de apoio e manutenção dos recursos, produtos e insumos nos seus devidos lugares. O cumprimento rigoroso dos procedimentos por todos e em todos os momentos evitam a contaminação do produto que é o objetivo principal do GMP.
A diferença maior entre as empresas que têm o GMP sem obrigatoriamente ter o 5S e aquelas que têm o 5S é que a cultura da higiene muitas vezes fica restrita apenas as áreas de fabricação. Isto não garante que, em um ou outro momento, variáveis não monitoradas adequadamente, como pessoas e recursos, não contaminem o produto, uma vez que as áreas de suas origens podem não estar com a cultura de utilização e ordenação adequada de recursos, de limpeza dos locais de trabalho, de higiene pessoal e de autodisciplina no cumprimento de regras, normas e procedimentos, conceitos genuínos do 5S.
Fonte: http://qualidadeonline.wordpress.com/2009/11/11/o-5-s-na-saude-e-nas-boas-praticas-de-fabricacao/